quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Hoje eu escrevi uma carta

    Hoje eu escrevi uma carta. Faz anos que eu sequer olhava para um envelope em branco. Na hora de comprá-lo, senti-me até um pouco constrangida ao pedi-lo à atendente da papelaria. Por quê? Ora, não existem motivos para isso, afinal, eu ia escrever uma carta para o meu amigo. Mas eu poderia falar com ele na internet a hora que a gente quisesse. Ou poderia mandar um e-mail. Por que uma carta? Exatamente por isso.

      Hoje as pessoas mal se olham na cara. Estão sempre olhado para um objeto que que tem uma telinha brilhante, que os fazem ficar cada dia mais cegos. Sim, mais cegos. Não enxergam nada que está ao seu redor. Qual foi a última vez que vimos o pôr do sol, que corremos, ou que brincamos como crianças? Hoje eu ando na rua e nem vejo os lugares por onde eu passo. Tem vezes que me perco, quando desligo o "modo automático" e passo a reparar no mundo a minha volta. "Olha, tem essa loja aqui!". É. "Mas nunca reparei". Porque você está o tempo todo olhando para uma tela. Se não está olhando, está pensando sobre a próxima coisa que irá postar nas redes sociais. "Será que tiro uma foto desse penteado?" "Ah, mas eu nunca comi nesse restaurante, as pessoas tem que saber que estou aqui!". Não, ninguém tem que saber de nada da vida dos outros.

      As pessoas não aproveitam mais o momento. Marcam de se encontrarem para apenas estarem perto uns dos outros, cada um com seus aparelhos eletrônicos. As pessoas só percebem que está chovendo quando cai a internet. Para. Acho que já passou da hora de mudar isso. Olhe lá para fora. Sinta o vento, veja as árvores balançando com ele. Ouça os animais, as aves, os gatos, os cães. Olhe para as pessoas. Olhe para si, no reflexo daquele prédio. Respire. Sinta estar vido e poder fazer alguma coisa que não envolva um aparelho eletrônico. Corra. Vá à praia, ande de bicicleta, converse com os amigos PESSOALMENTE. Viva. A vida é muito curta e passa muito rápido.

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