quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O que eu sou?

      Um dia desses eu estava pensando em cada pessoa que já fui... em cada tribo que já pertenci... e como eu mudei. Hoje em dia nem sei mais o que eu sou. Sério. Como eu me definiria? 

      Olha, eu amo rock, desde os meus 12 anos. Geralmente é nessa idade que você começa a criar uma identidade, sua "personalidade musical", por assim dizer. Mesmo que aos 10, 11 anos eu tivesse dançado músicas do Bonde do Tigrão, aos 12 eu conheci o tão amado rock. Daí comecei a ouvir as músicas, me vestir de jeito diferente, maquiagem, acessórios, queria camisas de todas as bandas que gostava - na época era muito fã de Limp Bizket, Linkin Park, essas coisas que todo mundo começa a ouvir quando começa a conhecer as bandas. E, claro, óbvio, Aerosmith. Gente, Aerosmith é a minha banda favorita, até hoje! Amo de paixão esses velhos! E comecei a gostar deles aos 12 anos, por causa da minha irmã, que era superfã, também, na época. 

      Beleza, comecei a ficar conhecida entre meus amigos como "a roqueira que gostava do Aerosmith". Mas ao mesmo tempo que adorava spikes, correntes penduradas na cintura e esmalte preto, eu também gostava de animes e mangás. Sim, eu amo animes, mangás, tokusatsus, doramas, live actions, coisas japonesas, coreanas, tailandesas, indianas, enfim... mas animes e mangás eu amo desde quando passava Sailor Moon e Yuyu Hakusho na Manchete. Então, além de roqueira - que alguns chamavam de grunge, sabe-se lá o porquê -, eu ainda era a "otaku", "japonesinha", "menina dos mangás". Cara, eu lembro que eu adorava quando me chamavam assim. "Ô roqueirinha, chega aí", "Japonesinha, essa aqui é a minha amiga...", por aí vai - nossa, falando assim parece até que eu era popular na escola. 

      E assim fui levando a vida. Só que tem um detalhe muito importante: eu comecei a gostar de rock por causa da Britney. Sim, Britney Spears. É, deu nó, né? Calma, deixa eu explicar. Acontece que eu tinha um amigo que gostava das músicas da Britney, assim como de outras cantoras que estavam no topo, na época. Só que senti mais afinidade com a princesa do pop do que com as demais e fui conhecendo melhor a carreira dela. Daí, um dia, eu vi o clipe "I Love Rock n' Roll", que mais tarde fui descobrir que era regravação. Gostei da música, da batida, das roupas que ela usa no clipe, enfim, de tudo. E a partir daí, comecei a pesquisar músicas com estilo parecido, com sons de guitarra e bateria que me fizessem querer pular e dar socos em um saco de pancadas invisível. 

      Mais tarde, cheguei a uma época que comecei a gostar mais de rock e derivados do que de pop, e eu achei que era obrigatório parar de ouvir pop e outras músicas, só porque eu "queria ser roqueira". Felizmente, depois, descobri que não conseguia simplesmente parar de ouvir certas músicas, só pra seguir um estilo. Aquilo não era eu. Então voltei a ouvir e comecei a escutar várias outras coisas. Até que um dia, um menino na escola virou pra mim e falou "Você é uma poser! Nenhum roqueiro que se preze escuta Slipknot e Britney ao mesmo tempo! Você deveria se envergonhar de sair assim na rua". Ok, não foi exatamente isso que ele disse, mas foi algo parecido. Fiquei com raiva, lógico e a partir daquele dia, não dizia mais que era "roqueira", apenas dizia que "gosto de rock também, mas escuto outras coisas". Pronto. Acabou minha "identidade musical". Nunca parei de gostar das coisas que gosto até hoje e hoje em dia nem sei mais do que posso me chamar.

      Não posso me dizer "roqueira", porque não ouço SÓ rock. Não posso me dizer "k-poper", porque não ouço só pop coreano. Não posso me dizer "otaku", porque, sei lá, o povo cisma que mulher é "otome", não "otaku". Amo o visual kei, lolita, e várias outras coisas. Não gosto do termo "eclética", porque parece que eu gosto de tudo e, cá entre nós, eu detesto samba, sertanejo, forró, funk... Acho que uma palavra só não me define. Daí eu descobri o termo "alternativo". Sinceramente, ainda não sei direito o que é "ser alternativo". Para mim, eles gostam de música eletrônica e tal... não que eu não goste, mas sei lá. Já me falaram que eu sou uma pessoa alternativa e isso não me incomodou nem um pouco. Acho que eu sou simplesmente eu. A menina louca, que assiste novelas coreanas e colombianas. Que gosta de músicas em várias línguas diferentes - sério, até música em latim eu gosto. A doida que veste a primeira coisa que vê no armário. Que não lig se a calça ta amassada ou se está usando a mesma roupa pela milésima vez. Que quer virar uma arara, pintando o cabelo de todas as cores. Que sempre quis aprender a andar de skate e fazer balé. Nem quente, nem frio. Nem 8 nem 80. Prazer, eu.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Hoje eu escrevi uma carta

    Hoje eu escrevi uma carta. Faz anos que eu sequer olhava para um envelope em branco. Na hora de comprá-lo, senti-me até um pouco constrangida ao pedi-lo à atendente da papelaria. Por quê? Ora, não existem motivos para isso, afinal, eu ia escrever uma carta para o meu amigo. Mas eu poderia falar com ele na internet a hora que a gente quisesse. Ou poderia mandar um e-mail. Por que uma carta? Exatamente por isso.

      Hoje as pessoas mal se olham na cara. Estão sempre olhado para um objeto que que tem uma telinha brilhante, que os fazem ficar cada dia mais cegos. Sim, mais cegos. Não enxergam nada que está ao seu redor. Qual foi a última vez que vimos o pôr do sol, que corremos, ou que brincamos como crianças? Hoje eu ando na rua e nem vejo os lugares por onde eu passo. Tem vezes que me perco, quando desligo o "modo automático" e passo a reparar no mundo a minha volta. "Olha, tem essa loja aqui!". É. "Mas nunca reparei". Porque você está o tempo todo olhando para uma tela. Se não está olhando, está pensando sobre a próxima coisa que irá postar nas redes sociais. "Será que tiro uma foto desse penteado?" "Ah, mas eu nunca comi nesse restaurante, as pessoas tem que saber que estou aqui!". Não, ninguém tem que saber de nada da vida dos outros.

      As pessoas não aproveitam mais o momento. Marcam de se encontrarem para apenas estarem perto uns dos outros, cada um com seus aparelhos eletrônicos. As pessoas só percebem que está chovendo quando cai a internet. Para. Acho que já passou da hora de mudar isso. Olhe lá para fora. Sinta o vento, veja as árvores balançando com ele. Ouça os animais, as aves, os gatos, os cães. Olhe para as pessoas. Olhe para si, no reflexo daquele prédio. Respire. Sinta estar vido e poder fazer alguma coisa que não envolva um aparelho eletrônico. Corra. Vá à praia, ande de bicicleta, converse com os amigos PESSOALMENTE. Viva. A vida é muito curta e passa muito rápido.